Menino indígena de 8 anos que faz tratamento do HC foi o primeiro a receber dose pediátrica no Brasil. Início da vacinação no estado ocorreu de forma simbólica na tarde desta sexta (14). Crianças com comorbidade ou deficiência, além de indígenas e quilombolas, são as primeiras.

O governo de São Paulo vacinou contra a Covid-19 a primeira criança do grupo prioritário no início da tarde desta sexta-feira (14).

O indígena Davi Seremramiwe Xavante, de oito anos, que veio para São Paulo fazer um tratamento no Hospital das Clínicas, foi o primeiro a receber o imunizante no Brasil.

Davi mora atualmente na cidade de Piracicaba, no interior do estado, com uma tutora.

Nesta primeira etapa da campanha, serão vacinadas crianças de 5 a 11 anos com comorbidades, deficiência, indígenas e quilombolas. Somente este público soma 850 mil doses.

O pai de Davi, o cacique Xavante Jurandir Seremramiwe participou da cerimônia de forma virtual, direto da tribo no Mato Grosso.

“O meu filho Davi Xavante ser o primeiro a tomar [a vacina] é exemplo para os demais povos indígenas tomem. Que o Ministério da Saúde honre e atualize, para que tenhamos prioridade para nossa criançada. Muito obrigado e que no Brasil a criançada tenha vacina pra todo mundo”, afirmou o cacique Jurandir Seremramiwe.

“Nós temos que tomar a vacina e não esquecer o uso da máscara, o distanciamento. Com certeza a nova geração estará segura quando as aulas voltarem. Elas estarão com saúde e brincando”, disse.

Primeiras crianças

A imunização ocorreu de forma simbólica no Hospital das Clínicas, destinada a um pequeno grupo, exatamente como foi feito pela gestão de João Doria em janeiro de 2021, quando a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, se tornou a primeira pessoa a receber a dose da vacina contra a Covid no país.

A secretaria estadual da Saúde recebeu o primeiro lote de doses nesta manhã e começou a fazer a distribuição para os municípios. O montante, porém, é inferior ao necessário para vacinar todo o grupo prioritário no estado.

Segundo Doria, foram enviadas 234 mil doses da vacina, quantidade que ainda não é suficiente para a imunização de todo o publico alvo, estimado em 850 mil crianças portadoras de deficiência, com comorbidades, quilombolas e indígenas das etnias Guarani que habitam no estado.

Além de Davi Seremramiwe Xavante, também foram vacinadas outras crianças no evento inaugural, como Gianlucca Trevellin, de 9 anos, que tem atrofia muscular espinhal do tipo 1, além de Valentina Moreira, de 6 anos, e Caio Emanuel Oliveira, de 10 anos, que realizaram transplante de rim.

Lorena Cordeiro, de 7 anos, tem Síndrome de Down — Foto: Reprodução/TV Globo

Lorena Cordeiro, de 7 anos, tem Síndrome de Down — Foto: Reprodução/TV Globo

Graziely de Oliveira, de 8 anos, Leonardo Martinez, de 5 anos, Marcelo Gabriel Moreira, de 10 anos, Cauê Henrique dos Santos e Luiz Felipe Barboza, ambos de 11 anos, que possuem síndrome de Down, também receberam a vacinação durante o evento simbólico.

Nos postos de saúde da capital paulista, porém, a vacina só será aplicada a partir de segunda (17), conforme divulgado pela prefeitura. O mesmo deve ocorrer nas demais cidades do estado.

A vacinação será feita de forma escalonada, em ordem decrescente, como ocorreu com a população adulta, mas o governo aguarda o recebimento de doses para divulgar um calendário. Veja como vai funcionar a vacinação infantil.

Gianlucca Trevellin, de nove anos, tem atrofia muscular — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com a gestão estadual, a capacidade de vacinação do estado é de 250 mil crianças por dia, podendo este número ser até superior de acordo com a demanda das famílias paulistas.

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