“Ele colocou a arma na minha cabeça mandando eu ficar quieta”, disse uma das vítimas

[ALERTA DE GATILHO: Matéria com depoimento sobre ato de estupro]

Outras três mulheres deram depoimentos revelados neste domingo (3), no Fantástico, acusando o vereador Gabriel Monteiro de estupro, incluindo menor de idade e ameaças com arma de fogo durante o ato sexual. Além de ameaças, Gabriel teria gravado a cena e forçado o sexo sem camisinha. As denúncias se somam a outras exibidas na semana passada, envolvendo, além do estupro, assédio moral e sexual, agressões físicas, manipulações de vídeos, uso indevido dos poderes e recursos públicos para fins de promoção pessoal.

Após a exibição das denúncias no domingo, 27 de março, o Ministério Público começou a apurar as acusações. Contudo, novos casos vieram à tona fechando ainda mais o cerco contra Gabriel Monteiro. Vídeos íntimos do vereador teriam sido vazados na internet, envolvendo sexo com menores de idade. Uma adolescente de 15 anos prestou queixa à polícia acompanhada dos pais com a publicação do vídeo, que viralizou nas redes.

Na sexta-feira, o Ministério Público do Rio conseguiu liminar na Justiça determinando a retirada das imagens do ar. O Twitter mandou excluir as publicações e Gabriel Monteiro compareceu à delegacia e negou que ele tenha publicado.

Ainda que ela tenha afirmado que o sexo foi consentido, a gravação de ato sexual com menor de idade já se configura como ati ilegal. O crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, conforme apontou Silvana Moreira, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-RJ.

Novas denúncias

Ao Fantástico, outras três mulheres se apresentaram com graves denúncias de estupro. Com histórias parecidas, elas dizem o ato começou consensual, mas acabaram em violência e ameaças. “Hoje eu tenho a consciência de que, infelizmente, eu fui estuprada. É a primeira vez que eu falo abertamente sobre isso”, contou uma delas. “Antes do ato em si, ele disse que não iria por o preservativo. E eu questionei, falei: ‘você tem que colocar, sim, o preservativo’. Nessa hora, ele simplesmente ignorou tudo que eu tinha falado e começou a relação sexual”.

Outra mulher disse que tinha 16 anos se encontrou com Gabriel depois de um convite dele a uma festa. Ela foi à casa dele à época em que ele era policial militar, diz tê-lo visto espancando outra mulher e pediu para fazer sexo a três.

“Ele foi e falou: vamos para o quarto. Eu falei: eu não quero. Vamos, vai ser legal, por favor, por favor. Aí ela veio também, me chamou e eu fui. Com medo, porque ele tinha acabado de tentar matar ela na minha frente. Eu fui”, explica.

Uma terceira mulher disse ter sido ameaçada com arma de fogo durante o estupro. “Começamos o ato sexual, até então consentido, porém, até um certo momento em que ele começou a me dar tapas, socos, a me filmar com o telefone. O tempo inteiro eu empurrava o celular, mas ele, mesmo assim, me filmava, tentava filmar minhas partes e meu rosto”.

“Eu comecei a gritar muito e ele pegou a arma e colocou a arma no freio de mão. Próximo ao freio de mão. E eu comecei a me debater, me debatia. Só que ele conseguiu fazer a penetração, tudo, sem camisinha. E, um certo momento, ele colocou a arma na minha cabeça mandando eu ficar quieta”, relata.

O Conselho de Ética das Câmara dos Vereadores havia se reunido na terça-feira (29) para analisar o novo caso do vereador, que envolviam até então as denúncias de assédios sexual e moral, estupro, manipulação de vulnerável e desvio de função de funcionários. Os vereadores, no entanto, decidiram adiar a abertura de representação contra ele e marcaram uma nova reunião está marcada para a próxima terça (5). Gabriel chegou a agradecer: “Agradeço ao Conselho de Ética que não fez uma Santa inquisição. Muito obrigado, Conselho de Ética, por ir contra um julgamento de exceção”, disse em sessão na Câmara.

Na mesma semana, o vereador concluiu sua filiação ao PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e do governador do Rio, Cláudio Castro. Foi chamado a prestar depoimento na quinta-feira para explicar as denúncias de assédio sexual contra uma ex-funcionária, mas faltou.

Nesta segunda-feira, os integrantes do conselho devem se reunir com o procurador-geral de Justiça do Rio, Luciano Mattos, e com os promotores que abriram investigações contra o vereador, conforme noticiado pelo UOL antes das últimas denúncias exibidas no Fantástico.

Em suas redes, Gabriel volta a negar todas as acusações das vítimas exibidas na TV Globo. “Quanta deslealdade numa matéria só. Omitem informações (a própria mãe da garota depôs, ela mesmo disse que me falou que tinha 18 anos). Acusações dos piores crimes, sem nenhum tipo de materialidade, NENHUM”.

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