Anápolis: Em sessão agitada, lobby religioso vence restrição sanitária

6 dias ago
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Jeitinho brasileiro: Câmara Municipal aprova projeto de Lei, em primeira votação, que torna igrejas atividades essenciais. Medida tem por objetivo impedir o fechamento desses locais, em caso de situações de restringência de circulação de pessoas em virtude da pandemia.

A palavra lobby tem sua origem inglesa, e significa salão, hall ou corredor. Para registro histórico, conta-se que um congressista americano, Ulysses S. Grant, costumava se dirigir ao lobby do Hotel Willard para fumar seus charutos e simplesmente relaxar. Lá, ele era abordado por diversas pessoas e grupos que queriam expor suas reivindicações e de certa forma influenciar as decisões públicas, ele costumava os chamar de lobistas do Hotel Willard. Com o devido lastro histórico, foi o que se viu hoje no parlamento municipal, um verdadeiro lobbismo religioso, que contou com a participação de pastores, padres e até mesmo bispos-auxiliares. A pressão sobre os parlamentares surtiu efeito. O projeto de Lei da vereadora Cleide Hilário (Republicanos) foi aprovado por unanimidade, não sem antes receber o proselitismo político dos vereadores, que aproveitaram a audiência on line da sessão, para dizer que eram cristãos desde criancinhas. Nos bastidores, conforme a apuração do PA, muitos até se diziam contra a medida, especialmente em razão do país estar atravessando o pico da doença, com média de mortes diárias de quase 3 mil pessoas, e com leitos de UTIs, unidade de terapia intensiva, e enfermarias lotadas.

Porém de acordo com um vereador “seria suicídio político ir contra a medida diante da pressão dos padres e pastores. ” Vitória de Pirro

Em tempo a matéria, que deve passar por nova votação, antes de ser sancionada pelo prefeito, pode não surtir efeito alguma. Isso porque, o STF, Supremo Tribunal Federal, deve levar a plenário o imbróglio envolvendo o tema. O Ministro Kassio Nunes Marques concedeu liminar em favor da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure), que contestou decretos estaduais e municipais que limitaram cultos e celebrações religiosas para tentar conter o coronavírus. Decisão diametralmente oposta à de Gilmar Mendes, que decidiu que governadores e prefeitos têm liberdade para decidir sobre o funcionamento ou não de igrejas em caso de medidas de restrição sanitária, em ação movida pelo PSD de São Paulo. Um novo round da guerra das igrejas já está marcado. E de acordo com juristas consultados, o pleno do STF deve ratificar a decisão de Gilmar Mendes, isolando ainda mais o Ministro Nunes Marques.

Por: Portal de Goiás

Sessão remota da Câmara Municipal de Anápolis. (Foto: Captura de tela/ YouTube)

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